segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um ponto

Encontraram-se no ponto de ônibus, o dela já podia ser visto chegando, o dele ainda iria demorar. O homem quis saber as horas e a mulher, apressada, disse sem nenhuma precisão “são quase oito!”.

Desse dia em diante se viam todos os dias, às quase oito, no mesmo ponto. Passavam tanto tempo à espera do coletivo que já conseguiam perceber o outro pelo perfume. “Cheiro de baunilha”, ele pensava. “O perfume dele é o... qual é mesmo o nome?”, ela se perguntava. Ria baixinho quando o outro chegava e se, por acaso, se atrasava um pouco o homem sentia sua falta.

Na segunda, o irmão da mulher não a acordou e, por conseqüência, ela não apareceu no ponto bem no dia em que o moço resolveu dar-lhe bom dia e dizer que estava de mudança. Na terça a mulher não sentiu “o perfume” chegar, ficou apreensiva, mas pegou o ônibus, pensou que ele também poderia ter se atrasado. Na quarta tudo se repetiu, assim como na quinta, na sexta...

A despedida pode ser sentida sem ser dada.

Laysa Menezes

3 comentários:

* Bu Crazy* disse...

Ahhhhhhhhhhh!!! eu adoro esse seu textooo!!! >.<

Laysa Menezes disse...

obrigada meu amor! :D

*Celle* disse...

Ah, que liindo! *__*