domingo, 11 de abril de 2010

Labirinto

Nesse texto tem uma revolta escondida. Você consegue perceber?
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Estou perdida. Entrei num labirinto e como em todos os labirintos não consigo achar a saída, a entrada eu já perdi. Esdrúxulo seria a melhor palavra para definir isso. Parece que todas as coisas que eu abomino resolveram se concentrar em um só lugar e, por acaso, eu estou perdida nele. Suas paredes não são iguais e consigo continuar perdida. E em várias dessas paredes multiformes existem vários espelhos. Espelhos que não mostram nada. Nada de mim, pelo menos. Por que eu não consigo me ver?
Ah! Ali! Uma luz meio lilás. Será o fim? Enquanto caminho em direção ao estranho foco luminoso no meio do nada, meus pés tocam uma lama que se torna cada vez mais profunda. Vou afundando. Oh céus, ninguém vai poder me ouvir se eu gritar. Tenho que me conformar.
Afundo lentamente em busca daquela mancha que no final poderá ser apenas uma mancha. Estou sendo tragada pelo vazio da escuridão. Enlouqueci. Ou morri. Ou os dois.

Laysa Menezes

Um comentário:

Luciana disse...

O Labirinto
"Não haverá nunca uma porta. Estás dentro/E o alcácer abarca o universo/E não tem nem anverso nem reverso/Nem externo muro nem secreto centro/Não esperes que o rigor de seu caminho/Que teimosamente se bifurca em outro,/Que obstinadamente se bifurca em outro,/tenha fim. É de ferro teu destino/Como teu juiz. Não aguardes a investida/Do touro que é um homem e cuja estranha/ Forma plural dá horror à maranha/De interminável pedra entretecida./Não existe. Nada esperes. Nem sequer/No negro crepúsculo a fera."
(Jorge Luis Borges)

Parabéns pelo belo blog!
Beijos,
Luciana